
"Nem peixe, nem ave, nem um bom arenque vermelho."
John Fante

Certa feita, o sociólogo americano John B. Thompson comentou que a tradição não podia ser entendida meramente como "um retorno ao passado, um refúgio de almas acanhadas, um apego irracional a algo destinado a desaparecer".
Na época em que li o livro, lembro-me da sensação meio angustiante que esse trecho me despertou. Acho que entendi seu ponto, de que nem tudo que é sólido se desmancha no ar e etc. Mas isso não necessariamente importou no momento e não importa agora.
Cito Thompson agora só porque pensei, de maneira um tanto repetitiva como tantas vezes me ocorre, que não havia problema nenhum com a imagem de um refúgio de almas acanhadas rodeadas de entes destinados a desaparecer (como tudo, não?); pareceu-me, na verdade, tão bonito e sutil esse lugar.
A Revista e a Editora Lenta surgem, nesse sentido, como um exercício prático de refúgio para:
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Enquanto revista, abarcar diferentes formas de jornalismo reflexivo;
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E como editora, abrigar novos e velhos autores nos campos da não ficção, da poesia e de narrativas ficcionais breves.
Na revista, você irá encontrar reportagens, ensaios, artigos, análises críticas e outros exercícios de jornalismo lento.
Na editora, os selos editoriais arenque vermelho (não ficção), letras miúdas (ficções breves) e chaminés (poesia).
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O que desaparece, existiu e por isso existe. Ancorando todo movimento sutil, há o desejo.
Ficamos felizes com sua visita.
João Barros, editor da Revista Lenta